Roteiro Inacabado

"O que você faria se não tivesse medo?"A pergunta visitava sua mente de minuto em minuto, em uma repetição enlouquecedora. Procurava centenas de respostas, mas, no fundo, já sabia."Arriscaria para ser feliz".E foi assim que ela resolveu.

10 de jun. de 2008

Despertar ao som de Caetano. Abrir os olhos e respirar fundo. Inspirar toda a coragem que estiver espalhada em micropartículas pelo ar. Expirar o resto de cansaço que fica assentado no travesseiro. A luz pálida da manhã que ainda não acordou ofusca a visão por alguns segundos. A armadura para a batalha de hoje pendurada na cadeira reluzindo. Arrastar o corpo até o chuveiro como carcaça... o cheiro da cama impregnado. A água morna quase violenta a pele, leva restos da noite ralo abaixo. O cheiro do sabonete invade as narinas e se instala em algum lugar entre o existir e a lembrança, se escondendo entre os poros. Mais tarde vai entrar em comunhão com as fibras da roupa. Os vários aromas misturados do shampoo, condicionador, óleo, sabonete e esfoliante, uma fragância familiar. Familiar até demais para essa hora da manhã, vai deslizando pelo corpo abaixo, se acomodando em cada milímetro. Ritual. Depois de tudo, ganhar a rua. Música ensurdecendo os ouvidos saindo dos dois pequenos cilindros de plástico, encaixados no ouvido. Todo dia é igual. Depois do ônibus, a caminhada pela assis brasil, carona, sempre está tocando Vanessa da Matta e cada rua transversal revela um pedacinho da selva de pedra. Vento nos cabelos. Inquietação no espírito. Djavan sussurrando ao pé do ouvido. A porta da realidade ainda está trancada a essa hora. Atravessar as ruas, o vento bagunçando os cabelos. Chegar à porta. E ver a racionalidade chegar até os pés. Hesitar e adentrar o mundo real, sem reclamar.

Garotas Daggers...

Ju e seus textos perfeitos para o momento!!!

Vinte e nove


Todo mundo é um pouco torto, me falou um amigo quando viu que eu estava certa: meu umbigo deveria ser mesmo mais para a direita. O que me incomoda agora, que eu vou fazer trinta anos, não é exatamente o fato de eu ser um pouco torta como todo mundo, mas o fato de eu ter descoberto que era tudo mentira. Era mentira que a vida se resolve aos trinta. Com vinte anos a gente acha que tudo vai se resolver aos trinta: nosso corpo, nossa auto-estima, nossa conta bancaria, nosso peito vazio, nossa vida amorosa.

Mas eu continuo torta e se bobear a coisa só piorou. Pior: minha ficha caiu e tenho certeza que não estarei menos torta aos quarenta. Não existe a grande e absoluta transformação. E aos trinta, em plena grande e absoluta transformação, você descobre isso.

Todo mundo é um pouco torto, penso enquanto tomo banho e decido não ir nem a pau até a Cidade Baixa. Ando mais do que meio torta, cheia de dor nos ombros e prefiro mais é curtir a novela esticada no meu sofá.

O que eu vou fazer lá? Me certificar pela milésima vez que odeio ficar de pé na calçada do Ossip e odeio esse clima de paquera “olá rapazes, vim até aqui para vocês compararem a minha bunda com aquela idiota marombada de dezenove e me dar nota quatro”. Tô fora. Não li esse monte de livros e não repensei zilhões de vezes a minha existência para ser reduzida a isso. Ser comparada à mulher melancia.

Aí uma voz chata pra cacete grita dentro de mim: você vai sim, sua velhota encalhada.
Que ficar esparramada no sofá que nada. Novela? Enquanto o mundo faz sexo você vai assistir novela? Vou. Vou sim. Porque to me lixando pro mundo que faz sexo. 90% desse mundo têm ejaculação precoce e os outros 10% não vão te ligar no dia seguinte. Vou ver novela. Tá decidido. Uma preguiça em arrumar homem. Novela pelo menos avisa “é a última semana!”. Homem some no auge da primeira.

Aí eu saio do banho, super decidida a não ir à Cidade Baixa e...é, eu sofro em colocar um pijama em plenas oito horas da noite. Cedo, né? Como é que eu vou casar desse jeito? Não vou. Esse papo de que homem bom você conhece de dia. Sei não. Quem é que vai me abordar no supermercado e dizer “Chuchu? Que legal! Eu também adoro eles!”. Não rola. E no trabalho? Não rola. Na época que eu trabalhava na noite passei o rodo mas agora, escritora, quem é que eu vou pegar se trabalho sozinha em casa? E tem outra também: passar o rodo combina com vinte anos. Com trinta você começa a chorar quando vê mulher grávida. Chorar em casamento. E, principalmente, chorar porque ainda não casou e nem está grávida.

Ok. Então eu vou. Vai que. Vai que hoje conheço alguém legal. Tudo bem que nos últimos quinze anos de balada (comecei com catorze) nunca conheci. E olha que na adolescência qualquer coisa não gorda e cheirosa tava valendo. Mas vai que. Não?

Não! Não, Dagger. Pensa bem. Olha sua caminha lá. Te esperando. Seus livros. O creminho de fazer massagem nos pés. Pra que voltar fedendo cigarro? Pra que ver gente que se odeia fazendo uma coisa que só as pessoas que se amam muito deveriam fazer juntas: tentar ser feliz. Um bando de gente perdida, saindo pelas ruas feito baratas no calor. Em busca de alguma coisa. Mas que coisa, gente? Marido é que não é. Ou é?

O que mais me dói é lembrar que eu tinha certeza que já estaria fora dessa vida com trinta anos. Com trinta anos? Eu pensava. Já vou estar ao lado do amor da minha vida. Pintando o quarto de salmão, que acalmando o bebê. Rica. Bem resolvida. Cozinhando. Sem medo que minha mãe morra. Com a voz firme. E a bunda também. Com trinta anos eu vou ter um carrão. E uma casa fashion com vista para árvores. E vou ajudar crianças carentes. E vou ter cara, roupas e postura de mulher. Afinal, são trinta anos.

Nada disso. Nada. Eu ainda me pego, vez ou outra, fazendo a combinação bizarramente juvenil de blusinha decotada, barriga de fora com jeans apertado. Eu não sei onde é a minha casa. Porque eu tenho um ap alugado, que é onde eu moro, eu tenho um ap alugado, que é onde eu trabalho e eu tenho um ap que não é alugado, mas é da minha mãe. Eu não sei ligar uma máquina de lavar sem ligar antes para a minha mãe. Eu não sei cozinhar quase nada sem antes ligar para a minha mãe. E, pela quantidade de vezes que eu falei na minha mãe só nesse parágrafo, já deu pra perceber que ainda faço terapia de medo que ela morra. O que um ser com idade mental de doze anos vai fazer num mundo sem mãe?

Mas eu não vou no Ossip. Tá decidido. Eu não bebo, eu não fumo, eu não faço sexo com idiotas (decidi isso faz pouco tempo, depois de praticamente ter ganhado carteirinha do clube “eu dou para idiotas”) e eu tenho pavor de peles desconhecidas esbarrando em mim. Pavor. Eu não vou.

Bebida pra mim é vinho, bem acompanhada. Restaurante chique. Ar condicionado. Boa música. Nesse quesito pareço alguém que vai fazer trinta anos. Ossip é para quem tem vinte. Vinho a dois para quem tem trinta. Mas esse é justamente o problema. Entendem? Eu não tenho, nesse momento, ninguém para dividir comigo as maravilhas de se ter trinta. Então, acabo me perguntando: será que eu não deveria ir à Cidade Baixa?

1 de jun. de 2008

"Feliz aquele que acredita em seus Sonhos, pois só assim poderá realizar seus vôos plenamente..."
"De uma coisa podemos ter certeza: de nada adianta querer
apressar as coisas. Tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo
que lhe foi previsto. Mas a natureza humana não é muito
paciente. Temos pressa em tudo! Ai acontecem os atropelos do
destino, aquela situação que você mesmo provoca, por pura
ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia
dizer: - Mas qual é esse tempo certo? Bom, basta observar os
sinais. Geralmente quando alguma coisa está para acontecer ou
chegar até sua vida, pequenas manifestações do cotidiano,
enviarão sinais indicando o caminho certo. Pode ser a palavra
de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer. Mas com
certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no
lugar certo, na hora certa, no momento certo, diante da
situação ou da pessoa certa! Basta você acreditar que nada
acontece por acaso!"

29 de mai. de 2008

"Um homem que nunca muda de opinião, em vez de demonstrar a qualidade da sua opinião demonstra a pouca qualidade da sua mente."

23 de mai. de 2008

declaração de amizade

Jo - says:
ai Dani.. desculpa estou ti encehdo disso né hahhaa
Daniela ॐ says:
deixa de ser boba, tá assim pq tá carente
Daniela ॐ says:
e nunca me enche... até pq sei q sempre poderei contar contigo
Daniela ॐ says:
p me ouvir, p me ler... p me dar conselhos
Jo - says:
pode ter certeza disso mesmo
Daniela ॐ says:
p me puxar a orelha qdo eu estiver viajando
Daniela ॐ says:
mas principalmente, sei q sempre vai me apoiar... mesmo qdo eu estiver errada
Daniela ॐ says:
e mais, jamais vai me julgar...
Daniela ॐ says:
amizade p mim é isso... e saber q sempre termos com quem contar, mesmo quando estamos erradas...
Jo - says:
que lindo
Jo - says:
penso assim tb.. pode ter certeza q tudo isso sempre tera de mim!
Jo - says:
muito bom saber q tenho de ti tb!!

Jo... a saudade é grande, mas não há distância para nos sabermos sempre amigas (mesmo depois de um início ruim... hahaha)...

21 de mai. de 2008

Quem te faz feliz?

"Durante um seminário para casais, perguntaram a uma das esposas: - 'Seu marido lhe faz feliz? Ele lhe faz feliz de verdade?' Neste momento, o marido levantou seu pescoço, demonstrando total segurança. Ele sabia que a sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento. Todavia, sua esposa respondeu a pergunta com um sonoro 'NÃO', daqueles bem redondos! - 'Não, o meu marido não me faz feliz'! (Neste momento o marido já procurava a porta de saída mais próxima). 'Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz'. E continuou: 'O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade. Eu determino ser feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas. Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, minha saúde física e mental. E assim eu poderia citar uma lista interminável. Eu decido ser feliz! Se tenho hoje minha casa vazia ou cheia: sou feliz! Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se meu emprego é bem remunerado ou não: eu sou feliz! Sou casada, mas era feliz quando estava solteira. Eu sou feliz por mim mesma. As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de 'experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria e tristeza. Quando alguém que eu amo morre eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza. Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar. Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque meu marido não é como eu esperava, porque meus filhos não me fazem felizes, porque meus amigos não me fazem felizes, porque meu emprego é medíocre e por aí vai. Eu amo meu marido e me sinto amada por ele desde que nos casamos. Amo a vida que tenho, mas não porque minha vida é mais fácil do que a dos outros. É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo por minha felicidade. Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregar nos ombros. A vida de todos fica muito mais leve. E é dessa forma que consegui um casamento bem sucedido ao longo de tantos anos. Nunca deixe nas mãos de ninguém uma responsabilidade tão grande quanto a de assumir e promover sua felicidade."

(autoria desconhecida)

Comer, Rezar, Amar...

Eu citei esse livro da Elizabeth Gilbert ("Comer, Rezar, Amar") alguns dias atrás, quando estava no início da leitura. Pois terminei as 342 páginas desse best seller mundial e mantenho a recomendação. Pra quem acha que só a menção da palavra "best seller" é motivo para sair correndo, não sabe o que está perdendo, porque o livro é divertido e inteligente. Traz relatos fascinantes de uma mulher de 35 anos que deixa os Estados Unidos, onde mora, para viver três experiências em países onde nunca esteve: começa passando 4 meses em Roma ("comer"), depois 4 meses num ashram na India ("rezar") e por fim 4 meses em Bali, na Indonésia ("amar"), fechando o seu clico de auto-resgate. A gente termina o livro com uma vontade doida de fazer as malas, sem falar nos momentos, vários, em que encontramos reflexões espertas. Deixo aqui um trecho que, apesar de não estar muito bem escrito (ou bem traduzido), desfaz nossa idéia de "alma gêmea", apresentando uma versão que achei bem original. "As pessoas acham que alma gêmea é o encaixe perfeito, mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama atenção para você mesmo para que você possa mudar sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não. Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora".

Martha Medeiros (sou fã de carteirinha, mesmo ela sendo colorada... hehehe)

18 de mai. de 2008

Queria tirar a tristeza das pessoas. Queria realizar o sonho de todos. Queria eliminar as dores físicas. Queria curar a mágoa de quem tem. Queria tirar o véu que impede a fé. Queria plantar esperança em cada coração.
Mas o que realmente posso é caminhar ao seu lado. Estender minha mão sempre. Provocar seu sorriso. Proferir palavras de otimismo. Orar sempre por você. Estimular sua luta por seus objetivos. Ouvi-te. Compreendê-te. Dar-lhe carinho. Dar-lhe amor.

e às vezes também gostaria de ter isso tudo de volta.
Tinha a coragem e a calma de um Rei
Os mais ferozes males enfrentou
Seus inimigos não puderam ver
Segredos da sua força contra a dor, e
Seus olhos liam além do amanhecer
Suas palavras transformavam leis
Todos queriam ser como ele foi
Ninguém sabia que era infeliz
Queria saber (queria saber)
Que faltava então ?
Não queria viver (não queria viver)
Com essa dor no coração
Pois até um rei
Despeja lágrimas por não ter o seu grande amor

Queria saber se é bom ou ruim
Ter uma flor tão linda assim
Com o azul do céu e o brilho do mar
E olhos de mel pra iluminar
Larararara, ôôô

Se ajoelhou como servo pela primeira vez
Dizendo já sofrer demais, oi
Saber sobre os céus e a floresta não lhe foi em vão
Sem eles, não teria a paz
Pra acreditar...