Roteiro Inacabado

"O que você faria se não tivesse medo?"A pergunta visitava sua mente de minuto em minuto, em uma repetição enlouquecedora. Procurava centenas de respostas, mas, no fundo, já sabia."Arriscaria para ser feliz".E foi assim que ela resolveu.

20 de mar. de 2010

Abaçaiado

A vida de todo mundo é difícil. A minha, a sua, a do vizinho. Sei também que problemas adquirem proporções conforme a postura que a gente assume diante deles. Mas sei também que quando a gente chora, não importa a postura, é porque dói tudo igual.

Tenho uma tendência fortíssima pelo drama. Você não me ama, não me quer, não pensa em mim, não liga para o que eu sinto ou penso, e buá. Assumo. Assumo também que sinto mais do que deveria sentir. Me importo mais do que deveria me importar, e também consigo amar mais do que deveria.

Mas por que estou falando isso? Não sei. Estou há dias tentando achar palavras para tudo que tenho sentido. Desapontamento? Talvez. Sempre questionei os valores que as pessoas possuem e o porquê atraio aquelas que têm valores diferentes dos meus. Não se trata de opostos que se atraem. Se trata de índio falando com português. Mim índio. Mim não querer espelhinho. Mim querer cachimbo. Ôpa, aí não!

E pior que não adianta dizer que isso já cansou, e fazer meu drama habitual. Não sou eu que vou resolver os problemas do mundo ou convencer alguém que é feio ser desonesto-ou-sei-lá-o-quê. Não porque eu saiba o que é certo, mas às vezes é só uma questão de lógica, e principalmente: de ética.

Esse não foi o primeiro, e, infelizmente, não será o último texto sobre desapontamento. 

Difícil vai ser continuar achando palavras.
 
Tudo cabe no coração da gente… Palavras que se limitam ao dicionário.

Na mitologia tupi, abaçaí é o nome de um espírito maligno que se apossa de um índio deixando-o enfurecido, logo quem está enfurecido, está abaçaiado.
Às vezes esqueço do quanto é terrível economizar o coração e alma.... reler esse texto foi praticamente um tapa na cara!

Quase por Luis Fernando Veríssimo...

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. 

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. 

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. 

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. 

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. 

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. 

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. 

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. 

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. 

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. 

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. 

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Feliz Aniversário Luciiiiiiiiiiiiiii

http://www.vimeo.com/10245400

3 de mar. de 2010

A saudade bateu, foi que nem maré...

O mar me fascina. Posso ficar parada diante dele por horas seguidas e sempre encontro algo novo para contemplar ou então uma nova resposta para minha vida, que vem apenas com o movimento de uma onda.
Desde pequena fui assim. Hoje sinto falta da água salgada se fico muito tempo sem ir à praia.
Tenho a ilusão de que seria mais completa se eu vivesse no litoral. Acho que teria uma vida mais regrada, que eu cuidaria mais de mim. Física e Psicologicamente.
O mar geralmente se parece comigo. Se estou triste, ele compartilha comigo essas tristezas, me mostrando as paisagens mais melancólicas e belas que já vi. Faz-me ver que há algo a mais, além da tristeza.
Se estou alegre, ele me recebe aconchegantemente com uma onda, que limpa a alma.
Existem os que chamam o mar de traiçoeiro. Eu não penso assim. Acho que ele é justo. Dizem que ele engana os mais desavisados que abusam de suas águas. Eu acho que ele é claro. Quando está de ressaca, mostra logo a quem quer que seja sua ira. São as pessoas que lhe invadem. Traiçoeiro? Isso ele não é.
Muitas vezes eu penso no mar como uma mulher. Aquela que sabe acolher a quem quer que seja. Que fotalece os que dela precisam. Que repreende os que merecem. Que muda constantemente, conforme a lua. Que às vezes se descontrola. Que às vezes invade espaços, como a maré...

2 de mar. de 2010

Morri

De todas as vezes que morri, a que doeu mais, foi há 5 minutos de um dia qualquer.
Não estranhe o tempo. Não situe. Não procure razões.
Faz 5 minutos que lembrei. 5 minutos que doeu outra vez.
Tenho 5 minutos para inventar mais um final trágico.
Não aceito morrer de morte banal.
Vou abrir um periódico da pior qualidade e escolher a pior notícia,
para anunciar que meu corpo foi : esquartejado, dilacerado, esmigalhado, atropelado, afogado, retalhado, esfaqueado, partido...
Quero dor física para esquecer a outra. Meus 5 minutos para não pensar em nada.
Sei que tenho 5 minutos futuros de um dia qualquer, para amar outra vez e morrer definitivamente.
Cansei da sobrevida de morte por amor.
Por 5 minutos toda dignidade se esvaiu de mim
.

1 de mar. de 2010

O Céu...

Acho que o céu deve ser um lugar maravilhoso. Não deve ser nada parecido com o tédio de pessoas andando de cajado na mão, com aqueles vestidões e sandálias franciscanas. Pessoas pegando uma sombra de baixo de uma árvore imensa, enquanto crianças brincam felizes e arranjo de flores na cabeça.

O céu deve ser um lugar super moderno… Algo que nossas mentes limitadas não conseguem atingir. Lá todo mundo tem tv a cabo com canais para todos os gostos. Deve ter um canal só pra Friends. Shows de sua respectiva Marisa Monte. Todos têm acesso ao teatro. Todos são felizes. Todos têm saúde. Todos têm seu amor. Não há solidão. Não há inveja, nem dor, nem doenças, injustiças. O presidente é justo e amado por todos. Não há dia de eleição. Não há propaganda eleitoral. O dia é sempre lindo. E todo mundo tem tudo que precisa para ser feliz. Inclusive uma casa linda, com um quintal enorme e cachorros que não dão alergia.
Não sei porque as pessoas buscam o inferno. Deve ser um lugar sem asfalto, sem luz na rua. Os banheiros devem ser todos fétidos. Não há dinheiro. A televisão não funciona…ou o único canal foi comprado pelo Polishop. Lá tem Palácio do Planalto. Shows de axé, pagode, e a melhor festa deve ser igual àquelas festas de rua onde o travesti é a atração mais esperada.
Eu que não quero ficar a eternidade com uma televisão de 14, com uma antena em cima da casa e um infeliz lá em cima gritando e perguntando se “melhoroooouuuuu???”. E mais: lá não deve ter nem açúcar, nem geladeira e nem ar condicionado. E não adianta fugir.
Então tratemos de ser mais sensíveis.
Já basta quando nada funciona por aqui.
Uma amiga costuma me dizer que devemos respeitar nosso momento.
Então… Se está feliz, seja feliz…E se está triste, viva sua tristeza. Uma hora qualquer uma das duas passa…por isso há tempo para tudo nessa vida.
Hoje quero ser apenas eu. Não preciso me reconhecer no espelho, assim como não quero colorir meu rosto ou usar algo que tire meus pés do chão.
Eu às vezes preciso apenas existir sem que outras pessoas percebam.

Nem Paris, nem Aspen, nem NY... eu queria estar exatamente onde estava!

Nesses frenéticos dias de carnaval, em que passei na Cidade Maravilhosa (com M maiúsculo), percebi o quanto a vida fica divertida quando literalmente soltamos as fantasias e esquecemos por alguns dias de compromissos, horários e regras. 
A história do Carnaval vem mesmo desse sentido de liberdade, de dias sem patrão e empregado, em que não há quem manda em quem, apenas a pura e simples diversão! Dos dias em que somos reis, odaliscas, palhaços, diabinhas, princesas... Você encontra alguém fantasiado ou não e brinca. Brinca de ser aquele que enfeitiça, que não tem medo do olhar do outro... 
Em que outra situação podemos correr e pular por aí cantando marchinhas inocentes e entoando sambas enredos com a mesma disposição das 8 da manhã até ás 10 da noite? Não tem! É só começar o batuque da bateria, que arrepia o corpo inteiro e o fôlego volta com tudo...
É incrível e como soa esquisito aos olhares daqueles que não curtem o Carnaval com a mesma intensidade ou poderia dizer, como a mesma paixão... Como podem escutar a batucada, seguida de: ♫♪ A minha alegria atrevessou o mar e ancorou na passarelaaaa... ♫♪ e não se emocionar???
E o slogan da propaganda da Skol que diz: “ahhhh, o verão”, humildemente pego emprestado e digo: “ahhhh o Carnalval!”...
Ai ai....Parabéns para nós que pulamos, brincamos, divertimos e cantamos na mais santa paz! Que respeitamos a cidade e seus foliões na mais eterna alegria e criamos um clima de felicidade contínua com o Rio de Janeiro, cidade que nos deu blocos aos montes (Azeitona, Empolga às 9, Banga La Fumenga, Céu na Terra, etc...), infinitos “ambulantes” que vendiam de tudo um pouco a 5 reais (sempre negociáveis), dias lindos de morrer com sol quente e firme e pessoas lindas de doer!!! Lindas por dentro e por fora, diga-se de passagem. Pois nunca tive tantos amigos bacanas e solidários ao mesmo tempo, que nos esperavam no momento xixi, que espantavam qualquer mala sem alça e que fizeram a conta do celular aumentar assustadoramente de tanta comunicação, bendito seja esse aparelho! 
Quem não curtiu, seja por qual por motivo for, pena....perdeu. Mas ok, ano que vem tem mais, calor, suor, samba, marchinha, cerveja, beijo na boca e cansaço nos pés, tudo isso vale para curtir o que chamo de o Melhor Carnaval do Mundo! 

9 de fev. de 2010

Férias!

 
♫♪ menino do Rio... calor que provoca arrepios...