Roteiro Inacabado

"O que você faria se não tivesse medo?"A pergunta visitava sua mente de minuto em minuto, em uma repetição enlouquecedora. Procurava centenas de respostas, mas, no fundo, já sabia."Arriscaria para ser feliz".E foi assim que ela resolveu.

28 de jul. de 2009

Meu coração... não sei por que...

É difícil estar tudo bem, tudo ótimo, meu coração não está acostumado a não precisar de nada, nem de ninguém.
Ele está tão habituado ao sobe-e-desce das montanhas-russas diárias, frios na barriga constantes, preocupação, stress e o turbilhão de emoções de sempre, que viciou.

Então mesmo quando eu não estou sentindo nada, absolutamente nada, ele jura que está lá, iuuuuupi, ladeira abaixo e aí, acelera, acelera, acelera e atrasa e acelera e atrasa... O bichinho fica totalmente sem ritmo, coitado.

É como o estômago da gente que se engana com o chiclete. Você tá lá, mastigando aquela borrachinha que não tem função alguma para o seu organismo, mas o seu estômago entende que, se tá mastigando, tá engolindo, se tá engolindo, precisa jogar lá as substâncias pra dissolver aquilo tudo. Só que não tem nada e ele acaba se auto-deglutindo.

Além disso, eu ainda esqueço de respirar. Ó, céus.

De volta

A vida anda corrida demais, mas venho explicar que hoje ainda vem "surtos" novos por aí!

Aliás, faz um tempo li uma pesquisa com as mulheres bem sucedidas - leia-se empresárias, diretoras de multinacionais, etc e a conclusão é a seguinte:

1 - não trabalham menos de dez horas por dia
2 - tem no máximo um filho ou não tem nehum
3 - separadas, solteiras

A única coisa que realmente me preocupou foi o fato de não trabalhar menos de 10 horas diárias... e pior, tenho a certeza de que estudo para diminuir isso!

Sei que o trabalho dignifica o homem, mas com certeza 6 horas é o suficiente para não deixar ninguém de mau humor e a pessoa ainda teria tempo de sobra para pagar contas, ir no médico e se divertir !!!!

12 de jul. de 2009

Fome de Amor




Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!

Arnaldo Jabor

30 de jun. de 2009

Tristeza Permitida...

..."Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor - até que venha a próxima, normais que somos."

Trecho da Crônica Tristeza Permitida - Martha Medeiros

29 de jun. de 2009

Eu morreria de orgulho. Morreria de ilusão, morreria de ócio. Morreria de crenças e também de temores.Morreria de orkut. De preguiça. De brigas e tragédias. Morreria de copos d’água, de birras e manhas, morreria de cagaços e covardias.Morreria de receio, morreria de desviar do trânsito. Morreria de porres homéricos. De omissões e de denúncias não feitas. De injustiça. De egoísmo. Morreria de ataques loucos à macarronadas. Morreria de falta de confiança, de falta de determinação e de menos-valia. De DR’s sem fim. De superficialidade.Morreria de acreditar em mentiras e em verdades desnecessárias. De vinganças. De invejas. De desesperança. De tempo perdido.De decisões adiadas, remédio não tomados, atitudes desesperadas. De conclusões precipitadas. De não ouvir a mim mesma. Morreria de ciúmes, de dor, de amor.

PANIS ET CIRCENCES (Um nariz de palhaço me cai bem)

Eu adorava o Bozo.Ok, também tinha um pouco de medo – e não sou a única que tem medo de palhaços.
Mas eu adorava o Bozo porque ele me fazia rir todas as tardes, especialmente dos seus cabelos arrepiados em todas as direções, sua maquiagem mal feita e de seu grande nariz vermelho. Sempre fazendo brincadeiras pra deixar todo mundo sorrindo, amigo da criançada, motivo de alegrias, risadas e bom humor, o Bozo era espontâneo e divertido. E cada vez que o Bozo dizia “Oi amiguinho!”, eu sentia que era para mim. Ele me cumprimentava! - e eu amava o Bozo.


Até que um dia uma criança mandou o Bozo tomar no cu. E naquele dia, o Bozo se tornou a minha Primeira Grande Decepção, ao sair pela tangente e dizer “O que, amiguinho? Sua casa está cheia de urubu?”, em vez de retrucar um sonoro vai-à-merda.

Não sei se foi meu primeiro exemplo de passividade diante das peças e ingratidões da vida, mas nunca me recuperei. E arrisco dizer: o Bozo é quem devia pagar a minha análise.


Quantas e quantas vezes não recebi um “bozo-vai-tomar-no-cu” e fingi estar falando sobre urubus? Quantas vezes me deparei com a realidade nua e crua, e por conta da minha imensa incapacidade de admitir falhas e imprevistos, olhei pro outro lado, na esperança de que, ao olhar de novo, ela não estivesse mais ali, sorrindo para mim? Quantas vezes fingi estar fazendo coisas por amor e apreço, quando na verdade era uma simples questão de precisar me virar?


Ainda hoje me pego em situações em que, se poderia reclamar da falta de honestidade/clareza/objetividade alheia, não posso me dizer menos do que responsável por cada uma destas atitudes que tanto me ofendem. Minha mania de demonstrar força e superioridade frente aos vai-tomar-no-cu da vida já adquiriu uma precisão suíça, de uma ciência exata, e se tornou difícil tirar do meu rosto um sorriso que, tal como o do Bozo, é absolutamente fake.


De repente, não mais que de repente, como uma rolha que aflora numa superfície líquida, vejo a imagem: estou em meio do picadeiro, vestindo sapatos enormes e equilibrando pratos, uma cartola na cabeça. Na platéia, todos aqueles que um dia, invariavelmente, me atiraram pipocas. Tento, piada após piada, arrancar uma risada sincera que não seja de meu comportamento ridículo, de minha falsa sensação de segurança enquanto jogo para o ar dezenas de bolinhas e tento pegá-las novamente. O resultado é sempre um definitivo fracasso.


A platéia se enche, as pipocas se tornam tomates. E os tomates se tornam pequenos objetos cortantes, que fazem pequenos machucados, pequenos arranhões no ego desta criança-palhaço, que nunca desiste de agradar a platéia, de recuperar no ar suas bolinhas, suas memórias, seus amores, suas falhas, suas lutas.


O sino toca. Abandono meus pratos, minhas bolinhas, minha cartola e minha fantasia. Tento retirar a maquiagem e tenho certa dificuldade, pois já faz parte de minha pele há muito tempo. Saio da tenda principal em cima de saltos, e acredito que o show acabou. Não olho para trás.


Entretanto, minha primeira olhada no espelho revela a força de toda a minha fraqueza e de minha subjugação: grudado, justo, reluzente, rindo e acenando para mim, um grande sorriso pintado de vermelho.


E um incansável nariz de palhaço.

22 de jun. de 2009

...

Paciência.

Mais paciência com as pessoas, mais tolerância com o mundo, mais calma no trânsito. Saber esperar pela hora certa, saber administrar a ansiedade, a angústia, e preencher um grande vazio com coisas belas e coloridas. Eu quero saber aguentar!

Tirar a lente cinza através da qual tenho visto as coisas, exorcizar de mim meu lado blasè. Eu quero me arriscar!

Eu quero sentir! Quero expressar! Eu quero libertar dos meus pés essas amarras imaginárias, e tirar essa máscara suprema que cobre meu rosto. Eu quero poder falhar!

Eu quero dizer que amo! Que adoro, que admiro, que gostei de estar do lado dele. Quero dizer que sofri, que me magoei, quero dizer que fiquei esperando. Quero dizer que fiquei ansiosa. Eu quero me expor!

Eu quero dizer que me importo! E que me importo muito, mais do que você ou do que ela, mais do que um tanto assim junto. Eu quero me importar cada vez mais!

Chega de fazer pose, chegar de massacrar meus sentimentos, chega de desconfiança.

Eu quero mudar!

O lago de gelo no qual me aprisionei está se quebrando, a água está escorrendo, e eu estou flutuando. Chega de achar que não mereço! Que não posso. Que não devo.

Devo, posso, QUERO!

Quero gritar pro mundo o quanto eu quero, que quero demais, que quero mais, que quero poder querer. Que quero me jogar no mar e olhar o dragão bem nos olhos, pra arrancar suas lágrimas. Eu quero chorar sem medo.

Porque QUERO! E quero demais tudo isso, tudo aquilo, bem aqui. Quero tudo junto. O veneno e o antídoto, o mal e a cura, o problema e a solução. Quero o belo e o feio, o círculo e a elipse, o branco e o preto, o grande e o minúsculo, choro e risos, umidade e aridez. Mas quero tudo. Nada menos que tudo.

Porque o que eu quero é poder ser tonta, idiota, otária, afobada, insegura, precipitada, mal-amada e até iludida. Mas o que eu quero mesmo é ser feliz.

Jogo x Compulsão

- Então, qual é o problema?
- O problema... o problema, doutora, é que eu não consigo parar.
- Hm... parar de que?- Parar de jogar, doutora. Sou jogadora compulsiva.
- Hm... e há quanto tempo a senhora joga?
- Começou quando eu tinha mais ou menos 15 anos.
- Sei... e com que frequência você jogava?
- Todo dia, o tempo todo. Você não imagina como é horrível, doutora. Você aposta, perde tudo. Não aguenta o fracasso, aposta mais ainda, ganha metade do que já perdeu. Não se contenta, aposta tudo o que tem. Sempre acha que da próxima vez vai dar certo. E acaba sempre sem nada.
- Posso imaginar... hm... o que você disse por último?
- Que você acaba sempre sem nada. Não você, doutora, eu!
- Me conta, você continua jogando?
- Sabe que é estranho doutora? Olha que loucura. Apostei com minha irmã que ia parar de jogar.
E ganhei, porque não joguei mais mesmo. 2 semanas já. Mas de lá pra cá, vivo apostando com ela que consigo ficar sem jogar.
- ...?
- Isso não seria continuar jogando?(Ouch! Fatality. You win. I lost. Game Over.)__________________________________________________________
Diagnóstico: Jogadora patológica. Baixo controle de impulsos. Auxílio psicoterápico necessário.

21 de jun. de 2009

Eu e a Trapezista...

O pior desse negócio de quebrar a cara com freqüência é que você vai adotando certos cuidados, tirando aos poucos toda a graça da aventura amorosa.
Eu, que sempre fui maluca e arrojada quando se tratava do sentimento com nome de paçoquinha, me vejo agora olhando para os lados com desconfiança, avaliando o terreno, como uma barata de laboratório cansada de levar choques a cada passo em falso.
Dizem que é bom ter cuidado, ir com calma, essas coisas. Sei não, sei não... Sinto-me como a velha trapezista que, balançando-se presa por um cabo de segurança e vendo a rede lá embaixo, dá um sorriso triste e sente saudades do tempo em que se lançava no vazio de olhos vendados.

O tempo...

Um homem e uma mulher encontraram-se e logo se apaixonaram perdidamente, o que até seria quase vulgar, não fossem as circunstâncias adversas que fizeram com que esse amor ainda mal começara e já fosse. Acontece que a mulher vivia no presente, cada dia de uma vez, como se fosse o último. Por outro lado, o homem vivia no futuro, cada dia era para ele o primeiro de todos os que se seguiriam. E foi desta maneira que ainda mal se haviam apaixonado e já o amor era passado. A moral desta história a seu tempo chegará. É só ter paciência!